Ela dizia que não passo de um cínico
e que todo mundo está se fazendo de desentendido,
virou um vício fazer de conta que não percebe,
dissimular, fingir que não compreende...
Enquanto não é comigo,
até quando eu posso ignorar
o perigo que ronda minha porta.
Não sei o limite,
o quanto o inimigo do meu inimigo é o meu amigo,
até que ponto os argumentos podem esconder os fatos,
até quando as palavras podem ser manipuladas,
Para encobrir a verdade,
até quando posso dar nomes bons a atitudes ruins.
Não vou me enganar:
posso me fazer de desentendido enquanto não é comigo,
mas não ignoro que em breve o inimigo
do meu inimigo será o meu inimigo mais impiedoso.
Ela saiu, era ainda de manhã,
o meu amigo, inimigo do meu inimigo,
arrastou, aquela mulher que era minha razão de existir,
para dentro de uma casa abandonada e a violentou,
Aquele monstro que eu defendi no tribunal
é agora meu pior pesadelo, meu pior inimigo.
As palavras de minha mulher me torturam
e martelam na minha cabeça:
_ Você é um cínico, até quando vai se fazer de desentendido?
Essa voz tem me assombrando dia e noite.
José Nunes Pereira
José Nunes Pereira
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