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14 de dez. de 2022

O Ceifador



O Ceifador 

Estou a sombra dessa árvore
ao pé de um rio
e um anjo do Senhor
me socorre feito Ismael e sua mãe Agar.

Estive antes em outro caminho,
aquele sem a providência divina,
fui mendigo, antrajo e faminto.

Quem passa agora por mim a sombra da frondosa árvore
me pergunta:_ O que você está esperando?
Digo: _ Nada!
Perguntam: _ O que está fazendo ?
Digo:_ Aparentemente, nada! Apenas estou aqui, sou o Touro Ferdinando!

Então fazem discursos, falam que devo conquistar o mundo! Salvar o planeta!
Olho preguiçosamente para o idealista e para esse discurso.
Apenas penso (não tenho vontade de responder)
quanto eu queria salvar o mundo ninguém deu ouvidos,
agora sou eu que não quero salvar nada.

Sou igual a Jonas debaixo da folha de abóbora,
porém não desejo a destruição da cidade,
aliás, nem é preciso que Deus a destrua,
e esse povo é autodestrutivo.

Eu só deixo a sombra dessa árvore se Deus quiser,
não sou igual a Jonas, filho implicante e desobediente.

Por enquanto estou mais para Touro Ferdinando.

Olha para o norte astrológico e vejo o ceifador de cabeças aproximando,
sei que ele não gosta de gente que quer fazer a vida por conta própria.

O ceifador vem furioso! Cabeças vão rolar!
A minha cabeça está muito bem aqui embaixo dessa árvore e ao pé do rio.
Mas se ele me mandar circular, eu vou circular...
Até que ele diga:_ Volta para sua sombra na árvore e o seu rio.

José Nunes Pereira 



 

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